Navio Farol SOUTH GOODWIN da Trinity House

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Navio Farol SOUTH GOODWIN da Trinity House

Mensagem por Eng. Marcelo em Qua Jan 18, 2017 9:52 pm

Esta montagem se iniciou em setembro de 2012.
Nesta primeira postagem vou transcrever o que já havia postado no forum anterior do grupo:

Segue um breve histórico.




(Navio Farol SOUTH GOODWIN da Trinity House)

Quando, por razões técnicas, não se pode construir faróis fixos, navios farol são usados.  Eles são geralmente ancorados na foz dos rios, em bancos de areia ou recifes perigosos, para avisar o tráfego marítimo dos perigos.  
A Grã-Bretanha, uma ilha dependente do tráfego marítimo, precisa de um grande número de faróis e navios farol.  Em 1731 o primeiro navio farol britânico foi ancorado na foz do rio Tamisa.  Naquela época, veleiros eram convertidos e utilizados nas estações.
Na Grã-Bretanha a "Trinity House" é a autoridade responsável por luzes costeiras.  A "Goodwin", estação em frente às areias perigosas entre a foz do Tamisa e do Canal Inglês foi criada em 1795.  
Este modelo da Revell mostra um navio farol da estação "South Goodwin", que entrou em serviço em 1937, com o número 90. Ele tem 36 m de comprimento e um deslocamento de água de 317 toneladas. Na noite de 26 para 27 de Novembro de 1954, o farol se soltou da sua fixação durante uma tempestade e foi levado para um banco de areia.  Aí virou e foi esmagado pelas ondas. Apenas um dos oito membros da tripulação pode ser resgatado por um helicóptero.

Algumas fotos reais de outros navios similares:







Vamos a montagem.

O kit é da REVELL na escala 1:144:





Como de costume, iniciei pelos detalhamentos:

Comecei pela escotilhas.  Elas vieram em baixo relevo fechadas.



Resolvi abri-las.  Para isso fiz inicialmente um furo no centro e depois alarguei com o estilete para não estragar as bordas.  Posteriormente vou colocar transparências pelo lado interno para simular os vidros.  Talvez coloque uma lâmpada por dentro do casco também.  Se conseguir...





Depois que colei a primeira fita de transparência, fiquei pensando como faria para pintar o casco sem sujá-la.  Aí achei melhor descolar para colocar depois de pintar a borda das escotilhas.  Acho que vou usar máscala líquida para protegê-las.

Os salva-vidas vieram também em relevo.



Raspei e fiz o suporte com fio de cobre.



Aí fiz o salva-vidas com fio encapado.  Acho que ficou melhor.



As escotilhas do deck superior vieram abertas, porém todas tortas e com as bordas com defeito.



Fiz novos aros com fio.  Acho que melhorou bastante.



Os suportes para as correntes na proa estavam muito grosseiros.



Removi também, e de novo lancei mão dos famosos fiozinhos.



Um ponto de destalhe neste navio são as correntes das âncoras.  As que vieram no kit são de plástico e deixam muito a desejar.  Saí a caça de correntinhas de metal em lojas de bijouterias.  Achei umas que davam certo.  Acho que vão ficar muito realistas.  O problema são as âncoras.  São de plástico muito flexível e difíceis de remover as rebarbas.



Outro destaque do navio logicamente é o farol.  Se fizer este kit sem o farol acender acho que vou escutar conversa de todo mundo que olhar, pelo menos é o que está acontecendo até agora.  Para não desapontar ninguém, fui nas lojas de eletrônicos procurar mini-lâmpadas.  Achei algumas que funcionam com 12 volts.  Por sorte eu tinha uma fonte desta voltagem.  Vejam como vai ficar.







Resolvi que queria colocar figuras no navio.
Achei algumas de outro kit na mesma escala que achei que serviriam.



Como podem ver, são minúsculas e difíceis de achar.  Sendo assim, achei melhor copiá-las em resina para não perder as originais.
Como são pequenas, usei silicone de artesanato e resina de dentista mesmo.



Apliquei vaselina líquida nas figuras e fiz os moldes com o silicone.  Para segurar as figuras dentro dos moldes, fixei araminhos nas mesmas.





A ideia era deixá-las próximas à superfície do silicone de forma que com um corte de estilete eu conseguiria retirá-las dos moldes facilmente sem estragar os mesmos.



Deu certo, consegui retirar os originais sem problemas.  Porém na hora de preencher os moldes com a resina, tive problemas, pois não previ orifícios para o ar sair de forma a permitir que a resina preenchesse todos os espaços.  Conclusão: as figuras não ficaram perfeitas.  Umas sairam sem braço, outras sem cabeça, etc.  Fou um verdadeiro festival da serra elétrica.

Para resolver este problema, tive que refazer os moldes.  Desta vez, retirei os araminhos das figuras originais e colei fitas de plasticard em pontos estratégicos, formando vários canais por onde o ar poderia sair quando eu despejasse a resina.



A resida de dentista não é a ideal porque para ela ficar bem fluida tem que colocar muito catalizador, o que faz ela secar muito rápido.  Há menos de um minuto para misturar e preencher os moldes.  Por isso tive que fazer uma figura de cada vez.

O resultado não ficou perfeito, mas com um pouco de tratamento acho que vai dar para usá-las.  Depois de prontas ainda cortei os braços e reposicionei para ficarem como eu precisava.  Tive também que colocar mãos novas em uma delas pois mesmo com os canais a resina não penetrou nestas áreas dos moldes.



Não vai ser fácil massear essa moçada.  Vou ter que usar a lupa com as 3 lentes!

Continuando, decidi fazer todos os gradis com araminho, como já é costume nos meus navios.

Comecei pelo gradil do farol que inicialmente era assim.



Este gradil é um pouco mais complicado pois além de ser em curva é ligeiramente inclinado.

Resolvi fazer com arame soldado para não desmontar quando eu fosse curvar.

Tirei as medidas, conferi se estavam coerentes com a escala e fiz o primeiro gabarito.



Para variar não deu certo.  Na hora que curvei ficou curto e os postinhos verticais não casaram com a posição dos apoios.

Tive que fazer outro gabarito ajustando a posição dos postinhos, e dá-lhe solda novamente.  O problema é a fumacinha que sai na hora da soldagem.  Como a gente tem que ficar com o rosto bem perto para conseguir ver os pontos de cruzamento, aconselho o uso de máscara.  Não sei se essa fumacinha é tóxica.



Depois de soldado, eu cortei com o estilete para tirar do gabarito.



Para ajustar as pontas dos postinhos e barras horizontais, eu cortei com um cortador de unha tipo "trim".  Ele permite o corte bem rente o que facilita.





Para conseguir fixar o gradil nos suportes do piso, tive que furar todos.  Aproveitei e fiz furos também na chapa do piso, já que a de verdade é toda perfurada.



Quando fui colocar, alguns postinhos ainda ficaram ligeiramente fora dos suportes.  Tive que cortar o gradil em duas partes e fazer alguns ajustes para dar certo.  Ainda vou lixar as soldas, mas acho que ficou melhor do que a peça de plástico.  Não consegui dar muita inclinação, mas mesmo assim depois de tratado e pintado vou conseguir um bom resultado.



Detalhes dos mastros:









Fiz a base de madeira com a peça de acrílico para depois aplicar o silicone simulando o mar:







Após longa pesquisa (tenta, erra e faz de novo...), consegui descobrir uma técnica legal para fabricar peças de photo etched.
Sendo assim resolvi desenvolver um kit para este navio.
Pesquisando nas fotos que encontrei de navios similares e na própria imagem da caixa do kit, defini as peças que valeria a pena tentar.
Fiz o desenho no AutoCAD.



Imprimi para testar.  Aí começou o problema.  
Mesmo tirando as medidas com paquímetro diretamente no kit e imprimindo na escala, as peças apresentaram diferenças de tamanho.
Solução: ajusta o desenho, imprime, recorta, testa, ajusta, testa de novo, ajusta, testa de novo....
Pelo menos o desenho das peças deu certo.





Achei que ficou legal.  Vai valorizar muito o kit.

Fui imprimir os desenhos no papel de etiquetas.

Achei que seria a parte mais fácil, porém, como comprei papéis novos, tive problema.  Acho que vieram muito lisos e a impressora laser não conseguiu fazer a impressão corretamente.  Começou a sair borrado.  Após várias tentativas, consegui tirar uma impressão aceitável, porém não perfeita como eu queria.

Com a impressão, transferi para as chapas de latão seguindo o processo achei em um vídeo no YouTube.  Porém tive que retocar quase tudo com caneta de tinta permanente ponta fina.  Deu um trabalhão.  Haja paciência...

Ficou assim.



Seguindo os conselhos de um amigo, fui até a loja de aquarismo e comprei a bombinha de ar com a pedra porosa.
Montei a parafernalha, usando como aquecedor um refletor de lâmpada halógena de 500W.  Fiquem atentos a questão do aquecedor, na primeira tentativa esqueci de proteger o vidro da mesa.  Resultado: trincou com o calor!



Fiz a corrosão da primeira placa.  Abaixo as peças já destacadas.



Para a corrosão da segunda placa, achei melhor experimentar sem a luminária.



A cada 5 minutos fui tirando a placa da solução para verificar a evolução da corrosão.  Abaixo dá para ver que já estava iniciando.



A corrosão praticamente foi no mesmo tempo (em torno de 30 minutos).  Acho que a temperatura não interferiu tanto.  O que faz mais a diferença é a movimentação da solução com a pedra porosa.

Ficou assim a segunda placa:





Ainda não saiu perfeito, principalmente porque a impressão laser não estava boa.
Testei outra opção de termo transferência com papel Colchê.  
A impressão a laser ficou perfeita e a termo-transferência também.
Só precisa ter um pouco mais de paciência para remover o papel da chapa de latão.  Eu deixei de molho na água por algumas horas e depois removi apenas esfregando o dedo.
Ficou quase perfeito.  Tive que fazer alguns poucos retoques.



A corrosão também ficou bem melhor.  As bordas ficaram bem definidas e retas.



Algumas peças já cortadas.



Agora a coisa vai...



Removi as marcações em relevo da parte transparente, lixei e poli.  Mas preciso melhorar, ainda está opaca.

Terminei de limpar as peças pequenas que faltavam.

Aí fui conferir e surpresa!

Perdi uma das bases dos botes salva-vidas.

Após revirar o estaleiro, instalar CPI, chamar a polícia federal, tudo acabou em pizza, ou seja, não encontrei nada!

Conclusão: fazer outra copiando a que sobrou.

Optei por fazer o molde de massinha de modelar mesmo, visto que a peça é simples:



Não ficou perfeita, mas como vai ficar escondida sob o bote, acho que dará conta do recado:



Com relação à luzinha, continuo brigando para tentar dar um aspecto real a ela.

Como não achei solução para fazê-la girar, decidi fazê-la pelo menos piscar.

Após pesquisa na Internet, achei uma opção.  Fui até a loja de eletrônica e comprei as pecinhas conforme orientação do filminho do YouTube. Montei a traquitana para testar:





Consegui fazê-la acender e apagar lentamente, com isso acho que dará a impressão do giro.

Como as dimensões do circuito não são problema para mim, pois tenho espaço de sobra embaixo da base de madeira, resolvi apenas otimizar o circuito e usá-lo assim mesmo.  Descartei a fabricação de circuito integrado para otimizar o tamanho, conforme alguns amigos recomendaram.

Ficou assim:



Inseri um pequeno interruptor na base:



Passei os fios subindo pelas colunas de alumínio da base e entrando no navio:



Quando for fazer a água vou escondê-los no meio das espumas.

Do casco, o fio subiu ao deck superior e pela torre até a base do farol.

Este foi o primeiro teste do sistema.  A luzinha acendeu e piscou!!!



Finalmente consegui resolver este assunto.

Mais algumas fotos das peças:

Escada de acesso ao farol.  Diferença entre a peça PE que fabriquei e a original do kit.



Roldana de PE que fabriquei para os botes.  Achei que o suporte ficou muito grande.  Resolvi eliminá-lo e fazer de arame aproveitando somente os discos da roldana.  Aproveitei e tirei o eixo horizontal que faz o braço girar e coloquei de arame.



Ficou assim:



Antes de iniciar a pintura, cortei rodelinhas de fita para mascarar as transparências das escotilhas.



Após análise das escadinhas de plástico que vieram no kit e das fabricadas em photo etched caseiro por mim, percebi que nenhuma das duas estava boa.

Montei então o gabarito abaixo para fazê-las com fiozinhos soldados:



Com elas prontas, fiquei com 3 opções para escolher:



Resolvi usar as feitas com fio e solda.  Foto abaixo de uma posicionada:



Após ficar algum tempo sem mexer no kit, fiz mais pesquisas e, para variar, achei mais detalhes que precisei arrumar.

O último foi o piso do deck.

No kit, veio com relevos imitando chapas de aço rebitadas.



Porém, nos navios reais, são de tábuas de madeira.



Conclusão: tive que raspar tudo.  Quem participou das reuniões do grupo em épocas passadas (bons tempos que tínhamos lugar para nos reunir para montar os kits juntos!!!), se lembra do ruído do estilete no plástico, na verdade um assovio...  

Após horas removendo os relevos, marquei e risquei todas as tábuas no plástico.

Em seguida, o estilete comeu!  Frisei uma por uma na mão com auxílio de uma régua metálica.



Todos os decks prontos.  Agora acho que ficou com cara de madeira.



Situação atual do kit:



Última edição por eng. marcelo em Qui Jan 19, 2017 9:45 pm, editado 3 vez(es)
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Re: Navio Farol SOUTH GOODWIN da Trinity House

Mensagem por Luiz Carlos MAchado Scart em Qui Jan 19, 2017 5:48 pm

Cara, trabalho insano!!! coisa pra doido nenhum botar defeito.
Perfeito
Parabéns.

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Re: Navio Farol SOUTH GOODWIN da Trinity House

Mensagem por Eng. Marcelo em Qua Jan 25, 2017 10:47 pm

Aí pessoal, a tripulação em fila para tomar banho de tinta...



Isso após passarem pelo setor de cirurgia plástica reconstrutiva. Reparem os remendos de massa!!!
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Re: Navio Farol SOUTH GOODWIN da Trinity House

Mensagem por Eng. Marcelo em Dom Jan 29, 2017 4:12 pm

Finalmente o depto de pintura do estaleiro começou a funcionar!  Agora vai!!!

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Re: Navio Farol SOUTH GOODWIN da Trinity House

Mensagem por Sandro em Dom Jan 29, 2017 4:57 pm

Que legal!!! Very Happy
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Re: Navio Farol SOUTH GOODWIN da Trinity House

Mensagem por Eng. Marcelo em Dom Fev 12, 2017 10:50 am

Trabalheira para separar as peças de mesma cor para pintar.  Isso que dá tirar tudo das grades para pintar de uma vez!



O problema é que as cores indicadas nas instruções da Revell não batem com as fotos reais do navio!
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Eng. Marcelo

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Re: Navio Farol SOUTH GOODWIN da Trinity House

Mensagem por Eng. Marcelo em Qua Out 18, 2017 10:46 pm

Olá pessoal, após longa data estou de volta com a montagem.
Vendo fotos antigas, identifiquei mais uns detalhes que estavam faltando: salva-vidas com cordinhas e bote inflável.
Aí resolvi fazer mais isso:



Devagar vou retomar esta montagem, agora se der tudo certo, para ir até o fim.

Abraço...
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Eng. Marcelo

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Re: Navio Farol SOUTH GOODWIN da Trinity House

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